transplante de córnea

Transplante de córnea: Quem precisa fazer, como é feitos e principais riscos

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O transplante de córnea é uma cirurgia que substitui a córnea danificada por outra saudável, vinda de um doador humano falecido. A córnea é a camada frontal responsável pela proteção dos olhos, portanto, qualquer alteração em sua estrutura pode causar sérios danos à visão.

Apesar de restaurar a visão e melhorar a qualidade de vida do paciente, o procedimento só é feito nos casos em que o tecido corneano está altamente comprometido e apresenta risco de cegueira.

Qual é a função da córnea?

A córnea tem como principal função proteger os olhos contra sujeira, germes, partículas em geral e raios ultravioleta prejudiciais. Ela também é responsável por focalizar a luz que entra no olho, deixando a visão nítida.

Três camadas principais de tecido formam a córnea, com duas camadas mais finas de membrana entre elas.

O que pode provocar o transplante da córnea

Algumas condições graves danificam permanentemente a córnea, a ponto de um transplante ser necessário. São elas:

  • Distrofia de Fuchs – condição em que as células da camada interna da córnea morrem, fazendo com que a córnea inche e engrosse e a visão fique turva.
  • Ceratocone – quando a córnea fica em formato de cone 
  • Infecções
  • Lesões traumáticas 
  • Cirurgias oculares 
  • Ceratopatia bolhosa – inchaço semelhante a uma bolha na córnea que causa desconforto ocular, dor e visão turva
  • Ceratite – inflamação da córnea causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas
  • Alterações congênitas ou hereditárias

No entanto, a principal causa de transplante de córnea no Brasil é o ceratocone. Estima-se que um em cada 20 mil brasileiros sofram com a doença.

Como é feito o transplante de córnea

Por se tratar de um procedimento cirúrgico, o transplante de córnea é dividido em várias etapas. Antes da cirurgia, seu oftalmologista fará:

  • Um exame oftalmológico completo, a fim de evitar complicações.
  • Medições do olho para determinar o tamanho da córnea de doador de que você precisa.
  • Uma revisão de todos os medicamentos e suplementos que você está tomando. 
  • Tratamento para outros problemas oculares não relacionados, como infecção ou inflamação.

Feito isso, o próximo passo é encontrar um doador. As córneas usadas em transplantes vêm de pessoas que morreram, mas, ao contrário de outros órgãos, quem precisa de transplante de córnea não exige correspondência de tecidos.

Por isso, a fila de espera do transplante de córnea costuma ser menor do que a de outros tipos de transplante.

Basicamente, o transplante consiste em remover a espessura da córnea doente e substituir por um tecido saudável. Para isso, o cirurgião irá escolher a melhor técnica para cada caso:

  • Ceratoplastia penetrante (PK) – quando o transplante é da espessura total da córnea. 
  • Ceratoplastia endotelial (EK) – neste método, somente o tecido doente das camadas posteriores da córnea são removidos e substituídos pelo tecido do doador.
  • Ceratoplastia lamelar anterior (ALK) – o tecido doente das camadas frontais da córnea é removido, incluindo o epitélio e o estroma, menos a camada endotelial posterior.
  • Transplante de córnea artificial (ceratoprótese) – é feito nos casos em que o paciente não é elegível para um transplante de córnea de um doador, então recebe uma córnea artificial (ceratoprótese).

No dia do transplante de córnea, você tomará um sedativo e anestesia local antes da cirurgia para que o procedimento não doa.

A cirurgia é feita em um olho de cada vez e não costuma demorar mais de 30 minutos.

Os tipos de transplante de córnea

Existem diversos tipos de transplantes de Córnea para cada situação específica:

  • Transplante penetrante – substitui toda a espessura da córnea
  • Transplante lamelar (DALK e FALK) –  substitui apenas uma parte da córnea 
  • Transplante Endotelial (DSEK e DMEK)
  • Transplante de células tronco 

Riscos da cirurgia

Como todo procedimento cirúrgico, apesar do resultado satisfatório, o transplante de córnea apresenta alguns riscos, como:

  • Infecção ocular
  • Glaucoma
  • Problemas com os pontos 
  • Rejeição da córnea doadora
  • Sangramento
  • Problemas de retina, como descolamento ou inchaço.

Sinais e sintomas de rejeição à córnea transplantada

Embora sejam raros os casos, existe a possibilidade do seu sistema imunológico rejeitar a nova córnea. Quando isso ocorre, é possível notar alguns sinais e sintomas da rejeição, entre eles:

  • Perda de visão
  • Dor nos olhos
  • Olhos vermelhos
  • Sensibilidade à luz

Cuidados pós-operatório

Após realizar o transplante, há vários cuidados a serem tomados nos primeiros meses com sua nova córnea. Os principais são:

  • Uso de medicamentos: colírios e, às vezes, medicamentos orais imediatamente após o transplante de córnea e durante a recuperação ajudam a controlar a infecção, o inchaço e a dor. Os colírios também ajudam a prevenir rejeições da córnea.
  • Uso de tampão ocular: você provavelmente usará um tapa-olho nos primeiros dias até que a camada superior da córnea cicatrize. 
  • Deitar de costas: em alguns tipos de transplante é preciso dormir de costas para o novo tecido não sair do lugar.
  • Repouso: nas primeiras semanas depois do transplante, exercícios físicos são proibidos.
  • Exames de acompanhamento frequentes: faça consultas anuais ao oftalmologista para monitorar seu progresso e evitar complicações.

Como fica a visão após a cirurgia de transplante de córnea

Nos primeiros meses após a cirurgia, é normal que a visão fique pior do que estava antes, já que seu olho estará se ajustando à nova córnea.

A média de tempo para que sua visão estabilize totalmente é de alguns meses a um ano.

Quando a camada externa da córnea estiver cicatrizada, seu oftalmologista fará ajustes para melhorar sua visão, como correção do astigmatismo e outros problemas de visão

Isso porque a curva do novo tecido da córnea pode não corresponder exatamente à curva de sua córnea natural. Assim, você ficará com um grau de miopia e astigmatismo.

Por isso, é muito comum precisar usar óculos ou lentes de contato mesmo após o transplante. 

No entanto, como sua visão vai flutuar durante os primeiros meses após a cirurgia, o ideal é esperar até que sua visão esteja 100% estável antes de preencher uma prescrição de óculos ou colocar lentes de contato.

Depois que seu olho estiver totalmente curado do transplante, também existe a possibilidade de realizar uma cirurgia ocular a laser, como LASIK ou PRK, para abandonar de vez o óculos de grau. 

O transplante de córnea é uma cirurgia segura e eficaz que melhora a visão e a qualidade de vida de milhares de pessoas anualmente. 

Em 2018, foram realizados 14.809 transplantes de córnea no Brasil. No mesmo ano, a lista de espera era de 8.788 adultos e 210 crianças, sendo que, na época, 16.303 pessoas entraram na fila de espera.

Fontes

Cleveland Clinic 

Mayo Clinic 

Web MD

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