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Ambliopia ou olho preguiçoso: veja como tratar

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A ambliopia, conhecida como olho preguiçoso, ocorre quando a visão em um dos olhos não se desenvolve adequadamente durante a infância. Há um desencontro em como o cérebro forma a imagem vinda dos olhos e o estímulo visual oriundo de um dos olhos perde preferência visual e começa a ser suprimido pelo cérebro.

Assim, com o passar do tempo, o cérebro passa a depender cada vez mais de um dos olhos, o olho dominante, enquanto a visão no outro olho, conhecido como olho amblíope ou “olho preguiçoso”, se deteriora.

Por isso, a ambliopia também é conhecida como “olho preguiçoso”. Trata-se de um problema comum em bebês e crianças até os 7 anos e estima-se que a ambliopia atinja 1.75% da população mundial

A visão de uma criança se desenvolve nos primeiros anos de vida, por isso é importante diagnosticar e tratar a ambliopia o mais cedo possível. Do contrário, uma criança com ambliopia pode não desenvolver uma visão normal.

Causas

O olho preguiçoso ou ambliopia se desenvolve em decorrência de uma experiência visual anormal no início da vida que altera as conexões nervosas entre a retina, onde estão as células fotorreceptoras na parte interna do olho, e o cérebro.

O olho preguiçoso (não-dominante) recebe menos sinais visuais e, com o tempo, a habilidade dos olhos trabalharem em conjunto deteriora e o cérebro passa a suprimir ou ignorar os estímulos vindos do olho preguiçoso.

Tal deterioração pode ocorrer, entre outros, por qualquer um dos seguintes fatores:

  • Estrabismo;
  • Erros refrativos (miopia, hipermetropia ou astigmatismo) não corrigido;
  • Diferença de mais de 2 graus entre os olhos;
  • Barreira que limita a entrada de luz a uma das retinas.

Tipos de olho preguiçoso

Qualquer condição que obscurece ou embace a visão da criança ou que leve os olhos a cruzarem pode resultar em olho preguiçoso. Os tipos mais comuns de ambliopia são os seguintes:

Ambliopia por estrabismo

Ambliopia por estrabismo se desenvolve quando os olhos não estão alinhados. Um dos olhos pode apontar para cima, para baixo ou para os lados (direita ou esquerda). Quando isso ocorre, o cérebro começa a ignorar ou “desligar” o olho que não está perfeitamente alinhado e a visão diminui no olho não-dominante.

Ambliopia por ametropia

A ambliopia por ametropia ocorre quando há erros refrativos – como miopia, hipermetropia ou astigmatismo – não corrigidos em ambos os olhos impedindo a formação de uma imagem nítida, dificultando uma plena acuidade visual. 

Ambliopia por anisometropia

A ambliopia por anisometropia ocorre quando há uma grande diferença no erro refrativo (grau) entre o olho esquerdo e o olho direito. A esta condição na qual há diferença (usualmente superior a 2 graus), chamamos anisometropia.

O cérebro aprende a enxergar que menos precisa de óculos e não aprende a ver pelo olho que precisa mais de óculos.

O problema pode passar imperceptível, pois nesses casos uma criança não reclamaria de visão borrada, por exemplo, já que enxerga melhor pelo olho com menos necessidade de correção.

Por isso, nesses casos, pais e pediatras podem não identificar o erro no dia-a-dia. Este tipo de ambliopia só vai ser identificado quando a criança realizar um exame de vista.

Ambliopia por privação (“ex-anopsia”)

A ambliopia por privação ocorre quando há um barreira que limita ou impede a chegada da luz à retina de um dos olhos. Dessa forma a imagem não vai se formar de forma definida. A ex-anopsia pode ser ocasionada por: leucoma corneano, catarata congênita uni ou bilateral, ptose palpebral, opacidades vítreas, hifema, dentre outras.

Sinais de ambliopia na infância

Crianças com ambliopia podem ter baixa percepção de profundidade, ou seja, podem ter dificuldade em dizer se um objeto está próximo ou distante, Os pais devem ficar atentos para sinais que indiquem que a criança está tentando enxergar mais claramente, Para tal a criança pode apresentar os seguintes sinais ou comportamentos:

  • Desalinhamento dos olhos, indicando estrabismo;
  • Dificuldades para aprender na escola;
  • Apertar os olhos;
  • Fechar um dos olhos;
  • Pender a cabeça para os lados.

Em muitos casos, os pais não têm conhecimento da ambliopia de seus filhos até que um médico oftalmologista diagnostique a condição em um exame de vista. Por isso é importante que todas as crianças entre 3 e 5 anos façam avaliações de acuidade visual pelo menos uma vez.

Sintomas

Sintomas de ambliopia ou olho preguiçoso incluem:

  • Um dos olhos não apontando na mesma direção do outro.
  • Olhos que parecem não se moverem juntos;
  • Perda de visão de profundidade;
  • Ter de apertar ou fechar os olhos para enxergar;
  • Ter de inclinar a cabeça para enxergar;
  • Frequentemente inclinar a cabeça para os lados para enxergar;
  • Resultados anormais em testes de acuidade visual.

Quando ir ao médico

Consulte o seu oftalmologista se notar que os olhos do bebê estiverem desalinhados já nas primeiras semanas de vida. Uma consulta é especialmente importante se houver um histórico de estrabismo, catarata, ambliopia ou outra deficiência ocular na família.

Um exame oftalmológico completo e aconselhado para todas as crianças entre 3 e 5 anos.

Diagnóstico

Todas as crianças devem realizar testes de visão antes da idade escolar. Estes testes irão se certificar que:

  • Nada bloqueia a luz chegando aos olhos da criança;
  • Ambos os olhos enxergam igualmente bem;
  • Cada olho se move apropriadamente.

Se houver suspeita de algum outro problema de visão da criança, mesmo que não seja aparente em um teste preliminar, consulte um oftalmologista.

De acordo com especialistas, o calendário para que crianças verifiquem sua visão deve começar com uma avaliação aos 6 meses, depois aos 3 anos e então todos os anos quando começar a frequentar a escola.

Oftalmologistas testam bebês e crianças observando quão bem seus olhos seguem um objeto em movimento. Eles também podem cobrir (ocluir) um dos olhinhos de cada vez, para observar a reação da criança.

A ambliopia, se não tratada na infância, resulta na dificuldade de adaptação com óculos de grau, independente do tipo de lentes escolhidas.

Tratamento

É imperativo começar o tratamento para a ambliopia assim que possível. Dependendo da causa o tratamento irá envolver:

  • Correção do problema de refração (miopia, hipermetropia ou astigmatismo) subjacente. A maior parte das crianças com ambliopia irá precisar de óculos para ajudar os olhos a focarem corretamente.
  • Cirurgia de catarata, caso isto esteja impedindo a chegada da luz a retina ou caso esteja influenciando negativamente a movimentação natural dos olhos.
  • Uso de tampão ocular em um dos olhos para forçar o cérebro a usar o olho não-dominante (olho preguiçoso). Inicialmente isso trará dificuldade para que a criança enxergue bem. A visão irá melhorar após algumas semanas ou meses. Depois desse período a criança não terá de usar o tampão todo o tempo. Caso haja regressão na evolução conseguida pelo tratamento, pode ser necessário voltar a usar o tampão.
  • Colírios que contenham atropina, utilizados para desfocar a visão do olho dominante, de modo que a criança não tenha que usar o tampão ocular, forçando o cérebro a usar o olho preguiçoso.
  • Aplicação de filtros translúcidos sobre lentes do óculos com o intuito de desfocar a imagem capturada por aquele olho. Esses filtros são conhecidos como filtros de Bangerter.

Olho preguiçoso tem cura?

Com um diagnóstico e tratamento precoces, a maioria das crianças recupera praticamente toda a visão.

Por isso, certifique-se de realizar os exames de vista cedo. Siga as instruções de seu médico pediatra ou oftalmologista, mesmo que seja difícil fazer com que seu filho use o tampão ocular todos os dias.

Ambliopia adultos, adolescentes e crianças acima de 7 anos

O tratamento em alguns adolescentes e adultos com olho preguiçoso pode atingir algum nível de sucesso, mas pode não funcionar tão bem depois que a visão tiver se desenvolvido completamente.

Em uma criança, isso normalmente ocorre entre 7 e 9 anos. Caso a visão no olho preguiçoso permaneça borrada e a visão no olho dominante seja comprometida, o sentido da visão pode ser prejudicada.

Complicações (Quem tem ambliopia pode ficar cego?)

Se não for tratada precocemente, o olho amblíope (olho preguiçoso ou não-dominante) pode nunca desenvolver uma visão normal. Caso a visão do olho dominante for comprometida por algum motivo, pode-se caracterizar um caso de cegueira funcional.

Fatores de risco para o desenvolvimento da ambliopia

Algumas crianças já nascem com ambliopia e outras desenvolvem a condição mais tarde durante a infância. As chances de apresentar olho preguiçoso é maior em crianças que:

Usar franja longa causa olho preguiçoso?

Apenas em casos muito particulares, mas é improvável. De maneira geral, uma franja sobre um dos olhos ou ambos os olhos não causa ambliopia. Uma franja pode apresentar algum risco apenas com uma combinação de fatores:

  • Caso se trate de uma criança com menos de 7 anos, cuja visão ainda está se desenvolvendo;
  • Um dos olhos permanece totalmente coberto e a criança não consegue ver com esse olho;
  • A franja permanece sobre esse olho durante todo o tempo.

Em situações normais, uma franja, mesmo longa, não deveria causar ambliopia.

Prevenção

A chave para evitar problemas de longo prazo na visão das crianças está no diagnóstico precoce e em seguir o tratamento prescrito pelo especialista à risca.

A visão do olho preguiçoso (ambliopia) normalmente é realizada usando óculos com lentes corretivas, medicamentos como colírios ou com uso de tampão ocular.

Fontes

Mayo Clinic

National Eye Institute

American Academy of Ophthalmology

American Association for Pediatric Ophtalmology and Strabismus

Medline Plus

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